Infertilidade masculina é a contribuição do homem para a dificuldade de um casal engravidar após cerca de 12 meses de relações regulares sem uso de método contraceptivo — prazo que cai para 6 meses quando a parceira tem mais de 35 anos. As causas mais frequentes envolvem alterações na produção ou no transporte dos espermatozoides: varicocele, distúrbios hormonais, obstruções das vias seminais, infecções urogenitais prévias, fatores genéticos, uso de testosterona ou anabolizantes e hábitos de vida. A investigação começa por histórico clínico, exame físico e espermograma, acrescentando avaliação hormonal, ultrassom e exames complementares conforme os achados. Em Pinheiros e no Itaim Bibi, São Paulo, o Dr. Januário de Souza, urologista e andrologista, conduz essa investigação e trata as causas urológicas e hormonais do fator masculino, integrando o acompanhamento com a equipe de reprodução humana quando isso é indicado.

Revisado por Dr. Januário de Souza — CRM|SP 231164 | RQE 101622 · Última revisão em 03/08/2026.

O que é infertilidade masculina?

Infertilidade é uma condição do casal, não de uma pessoa isolada. Fala-se em fator masculino quando a avaliação do homem identifica algo capaz de reduzir a chance de gravidez: menor produção de espermatozoides, alteração no movimento ou no formato dessas células, dificuldade de transporte até o sêmen ou problemas na ejaculação. Por isso a investigação precisa correr em paralelo nos dois parceiros — avaliar apenas a mulher, prática ainda comum, costuma atrasar o diagnóstico e prolongar o tempo de tentativa sem resposta.

Vale separar dois termos que costumam se confundir. Esterilidade descreve a impossibilidade de gerar filhos; infertilidade descreve uma probabilidade reduzida dentro de um intervalo de tempo. A diferença é prática: a maioria dos homens que chega ao consultório com espermograma alterado está no segundo grupo, e boa parte tem causas identificáveis e passíveis de tratamento ou de contorno.

Quais são as principais causas da infertilidade masculina?

  • Varicocele — dilatação das veias do cordão espermático. É a causa anatômica corrigível mais frequentemente encontrada em homens com alteração seminal, por elevar a temperatura testicular e prejudicar a produção de espermatozoides.
  • Causas hormonais — falhas no eixo entre hipófise e testículos reduzem o estímulo à produção espermática, incluindo quadros de deficiência de testosterona e alterações de prolactina ou de tireoide.
  • Causas obstrutivas — bloqueios nas vias que conduzem os espermatozoides, por infecções prévias, cirurgias na região inguinal, ausência congênita dos ductos deferentes ou vasectomia prévia. Nesses casos a produção pode estar preservada, mas o transporte não.
  • Causas testiculares primárias — falha na própria produção, associada a alterações genéticas, criptorquidia (testículo que não desceu na infância), traumas, torção testicular prévia, orquite ou sequelas de quimioterapia e radioterapia.
  • Infecções urogenitais — episódios atuais ou passados de epididimite, prostatite e infecções sexualmente transmissíveis podem deixar inflamação ou obstrução residual.
  • Uso de testosterona e anabolizantes — a testosterona vinda de fora do corpo suprime o estímulo natural aos testículos e reduz a produção de espermatozoides. É uma causa cada vez mais frequente e, quase sempre, foi iniciada sem acompanhamento urológico.
  • Medicamentos e exposições — alguns fármacos de uso contínuo, além de exposição ocupacional a calor, solventes e agrotóxicos, podem interferir na espermatogênese. A revisão dessa lista faz parte da consulta.
  • Alterações da ejaculação e da função sexual — ejaculação retrógrada, ausência de ejaculação e disfunção erétil podem inviabilizar a concepção mesmo com produção espermática normal.
  • Hábitos de vida — tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, sono insuficiente e calor prolongado na região genital (banhos muito quentes, saunas, notebook sobre o colo) são fatores modificáveis.

Uma parcela dos casos permanece sem causa definida mesmo após investigação completa — a chamada infertilidade idiopática. Reconhecer isso abertamente faz parte de uma conduta honesta: nem toda alteração seminal tem explicação disponível hoje, e isso não impede que o casal siga com um plano definido.

Como é feita a investigação da infertilidade masculina?

A avaliação segue uma sequência que vai do mais simples ao mais específico, evitando exames desnecessários. O ponto de partida é a consulta, não o laboratório.

  • Histórico clínico dirigido — tempo de tentativa, gestações anteriores (com a parceira atual ou não), puberdade, criptorquidia, cirurgias inguinais e escrotais, infecções, traumas, medicamentos em uso, suplementos, anabolizantes, atividade ocupacional e hábitos.
  • Exame físico andrológico — avaliação do volume e da consistência dos testículos, presença e características dos epidídimos e dos ductos deferentes, pesquisa de varicocele com o paciente em pé e exame do pênis.
  • Espermograma — exame central da avaliação. Analisa volume do sêmen, concentração de espermatozoides, motilidade (capacidade de se mover de forma progressiva) e morfologia (formato das células), além de vitalidade e presença de leucócitos. A coleta segue um período de abstinência orientado, e o resultado é interpretado em conjunto com a clínica, nunca isoladamente.
  • Repetição do espermograma — a produção espermática oscila e sofre efeito de febre, infecções e estresse recentes. Quando o primeiro exame vem alterado, uma nova coleta após intervalo costuma ser necessária antes de qualquer decisão.
  • Avaliação hormonal — dosagens do eixo hormonal masculino ajudam a distinguir falha de produção testicular de falha de estímulo central, o que muda completamente a conduta.
  • Ultrassom com Doppler escrotal — confirma e classifica a varicocele, mede o volume testicular e identifica alterações estruturais.
  • Exames complementares selecionados — em casos específicos, ultrassom transretal, testes genéticos, pesquisa de espermatozoides na urina pós-ejaculação e outros exames dirigidos, sempre indicados a partir dos achados anteriores e discutidos previamente com o paciente.

Essa mesma estrutura é a base da avaliação andrológica completa, aplicada aqui com foco reprodutivo. Um ponto prático: os espermatozoides levam cerca de dois a três meses para completar seu ciclo de formação, então mudanças de hábito ou correção de causas costumam levar esse tempo mínimo para aparecer em um novo exame. Expectativas de resultado imediato geram frustração desnecessária.

Quando procurar um urologista por dificuldade de engravidar?

A recomendação geral é iniciar a avaliação após cerca de 12 meses de tentativa sem sucesso, ou após 6 meses quando a parceira tem mais de 35 anos. Há situações, porém, em que faz sentido procurar avaliação antes de completar esse prazo: histórico de criptorquidia, torção ou trauma testicular, cirurgias inguinais ou escrotais prévias, infecções urogenitais, quimioterapia ou radioterapia anteriores, uso atual ou passado de testosterona e anabolizantes, alterações da ejaculação ou da ereção, e volume testicular reduzido percebido no autoexame.

Investigar cedo poupa tempo

Antecipar a avaliação masculina não força nenhuma decisão de tratamento — apenas coloca informação na mesa mais cedo. Quando existe causa tratável, o tempo trabalha a favor de quem a identificou primeiro.

Qual é o papel do urologista e andrologista nesse processo?

O Dr. Januário atua na parte urológica e andrológica do caso: investigar a fundo o fator masculino, chegar a um diagnóstico quando ele existe e tratar as causas que pertencem à urologia. Isso inclui a correção cirúrgica da varicocele quando indicada, o manejo de alterações hormonais, a retirada ou substituição de fatores que estejam prejudicando a produção espermática — incluindo condução de casos ligados ao uso prévio de testosterona ou anabolizantes, tema tratado também na página de terapia pós-ciclo — e a abordagem de causas obstrutivas.

Os procedimentos de reprodução assistida propriamente ditos são conduzidos pela equipe de reprodução humana. O papel do andrologista nesse ponto é entregar o fator masculino já investigado e otimizado, o que evita repetição de exames e dá à equipe reprodutiva um panorama pronto para decidir a estratégia. Quando os dois lados trabalham integrados, o casal não fica recomeçando a investigação a cada consulta.

Nenhuma conduta em fertilidade oferece garantia de gravidez, e desconfie de quem prometa isso. O que uma investigação bem conduzida oferece é clareza sobre o que existe, o que é modificável e quais caminhos estão disponíveis — informação suficiente para o casal decidir os próximos passos com calma. As consultas acontecem nos consultórios de Pinheiros e do Itaim Bibi, em São Paulo.

O impacto emocional da investigação de fertilidade

Procurar avaliação por dificuldade de engravidar costuma ser desgastante para o casal, e muitos homens adiam a consulta por associar fertilidade a virilidade. Não é a mesma coisa: alteração seminal é um dado clínico, como qualquer outro exame alterado, e não diz nada sobre o paciente além disso. A investigação é conduzida com linguagem clara, explicando cada etapa e cada resultado sem gerar alarme e sem procurar culpados — o objetivo é que o processo continue sendo do casal, e não de um dos dois sozinho.

Perguntas frequentes

Quando devo investigar a infertilidade masculina?

O ideal é buscar avaliação andrológica assim que o casal completar cerca de 12 meses de tentativa sem sucesso (ou 6 meses, se a parceira tiver mais de 35 anos), em vez de aguardar mais tempo sem investigação.

O espermograma é suficiente para o diagnóstico?

É o exame central, mas não isolado. A investigação completa considera também histórico clínico, exame físico e, quando indicado, avaliação hormonal e de imagem, para identificar a causa específica da alteração.

Preciso repetir o espermograma?

Com frequência, sim. Um único exame alterado não fecha diagnóstico, porque a produção de espermatozoides varia ao longo do tempo e sofre influência de fatores temporários, como febre recente, infecções e período de abstinência antes da coleta. A repetição é decidida caso a caso.

Varicocele sempre precisa de cirurgia?

Não necessariamente. A indicação de correção cirúrgica depende do impacto da varicocele na qualidade seminal e do contexto clínico do casal, sempre avaliado individualmente.

Hábitos de vida realmente influenciam a fertilidade masculina?

Sim. Tabagismo, uso excessivo de álcool, obesidade e exposição a calor excessivo na região genital estão entre os fatores que podem comprometer a produção e a qualidade dos espermatozoides.

O uso de testosterona ajuda a engravidar?

Não. A testosterona administrada de fora do corpo tende a reduzir o estímulo natural aos testículos e pode diminuir a produção de espermatozoides. Homens que desejam ter filhos devem informar ao urologista qualquer uso de testosterona ou de anabolizantes antes de iniciar a investigação.

Um espermograma alterado significa que não posso ter filhos?

Não necessariamente. Alterações no espermograma reduzem a probabilidade de gravidez espontânea em determinado período, mas raramente significam infertilidade absoluta. Parte dos casos melhora com a correção da causa identificada; em outros, o casal é conduzido em conjunto com a equipe de reprodução assistida.

O Dr. Januário realiza tratamentos de reprodução assistida?

A atuação do Dr. Januário é a investigação andrológica e o tratamento das causas urológicas e hormonais do fator masculino, como a varicocele. Os procedimentos de reprodução assistida em si são conduzidos pela equipe de reprodução humana, com quem o acompanhamento é integrado quando indicado.

Fontes e referências

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e conduta dependem de avaliação individual.

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